quinta-feira, 18 de julho de 2013

LA BELLA POLENTA - espetáculo infanto juvenil


Um delicioso encontro entre o passado e o presente. Uma imigrante italiana que parte em busca da esperança de uma nova vida, e uma descendente de imigrantes que volta de uma viagem à Itália, onde foi para buscar suas raízes. Elas se conhecem no navio para o Brasil e, durante a viagem, se encontram em meio a lembranças, saudades e o desejo de recomeçar. Neste cenário de tradição, entre a história e a ficção, nasce uma amizade entre esses dois mundos, que ultrapassa os limites do tempo.

La Bella Polenta é um espetáculo teatral bilíngue (português / italiano), de narrativas orais da cultura popular ítalo-brasileira, acompanhada de cantigas, danças  e brincadeiras cantadas tradicionais.
Em nosso processo criativo, inspiramo-nos em fábulas populares coletadas por Ítalo Calvino em seu livro Fábulas Italianas e nas experiências de intercâmbio cultural entre comunidades italianas e brasileiras.

A escolha desse tema vem de uma busca pelas nossas raízes em conjunto com uma paixão pela tradição oral, o que nos levou a esse desafio de montar um espetáculo que apresentasse uma sonoridade diferenciada, na contraposição das duas línguas, e uma colcha de retalhos composta por diversas linguagens tais como, contos, danças, cantigas, brincadeiras cantadas e outros elementos da cultura popular, incluindo a sensorialidade dos aromas e sabores.

Ficha técnica:
Realização: Círculo Artístico Teodora
Autoria, pesquisa, roteiro  e concepção do espetáculo: Claudia Venturi e Cristina Lopes
Direção geral: Margarida Baird
Atrizes narradoras: Claudia Venturi e Cristina Lopes
Direção de Arte: Paulo Henrique Wolf
Figurino: Fernanda Jacobo e Iony Gabriel Vecchi
Cenografia: o grupo
Projeto de luz: Ivo Godois
Técnico de luz e som: Margarida Baird e Paulo Wolf  
Elaboração gastronomica: Claudia Venturi
Apoio: ComSenso e Coral Stelle Alpine - Orleans


terça-feira, 18 de junho de 2013

Entrevista com José Ronaldo Faleiro

Entrevista com José Ronaldo Faleiro

faleiro

José Ronaldo Faleiro traduz o livro
Apelos, de Jacques Copeau 
Por Marco Vasques e Rubens da Cunha

O livro Apelos, de Jacques Copeau (1879 – 1949), publicado este ano pela editora Perspectiva, foi traduzido pelo ator e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, José Ronaldo Faleiro, e consiste em uma contribuição definitiva à bibliografia do teatro brasileiro. A obra traz uma série de reflexões sobre o ator, o texto, a crítica, a vida dentro do teatro, o papel ético e estético da arte, enfim, se constitui em um grande caleidoscópio das ideias do pensador, ator, diretor e dramaturgo francês. Em entrevista inédita ao Notícias do Dia, Faleiro reflete mais sobre a importância de Copeau para seu tempo e para os dias atuais.
Como nasce o seu interesse pelas ideias teatrais de Jacques Copeau?
Jacques Copeau estava presente nas aulas de Gerd Bornheim, de Teoria Geral do Teatro/Poéticas do Espetáculo, no Curso de Arte Dramática (CAD) da UFRGS (guardo o caderno de 1968). Estudávamos com muito afinco os reformadores do teatro e suas ideias e ideais. Além disso, o CAD havia editado, em 1965, a talvez primeira publicação brasileira em livro sobre o Teatro do Vieux-Colombier: O Cinquentenário da Fundação do Vieux Colombier, de Georges Readers. Havia lido, também, as “lembranças” de Álvaro Moreyra e sua entrevista com Jouvet no Rio de Janeiro. Olga Reverbel, professora e norteadora, vira os espetáculos de Barrault, Dullin, Jouvet, em Paris, logo após a Segunda Guerra Mundial. Ela também me apresentou os Cadernos de Teatro, que traziam textos de Copeau. Dois anos depois de eu ter chegado a Paris, foi lançado na França o primeiro volume dos Registros, chamado Appels (1974), e assisti a uma mesa-redonda sobre ele, com Ariane Mnouchkine (diretora, naquele ano, de L´Âge d´or), Marie-Hélène Dasté (a primogênita de Copeau e organizadora do livro) e André Veinstein (diretor da coleção, na Gallimard). Começada aí, a ação desenvolvida por Marie-Hélène Dasté foi fundamental para reunir a obra de Copeau, para possibilitar a sua leitura. Catherine Dasté, diretora teatral e neta de Jacques Copeau, me ofertou o segundo volume, dedicado inteiramente a Molière, em 1977, com uma bela dedicatória, durante o terceiro ensaio corrido de seu espetáculo Visage de Sable. Posteriormente, quando fiz meu doutorado, lá estava novamente a figura do “Patron”. Desde os anos sessenta do século XX, a escrita, o entusiasmo e a exigência radical com que Copeau encarava o teatro me fascinam.
Qual é a importância de Jacques Copeau para a história do teatro no que tange à transformação da técnica do ator?
Copeau percebeu — e não foi o único, é claro; estava em boa companhia: com Stanislavski, Meyerhold, Appia, Dullin — que para reformar o teatro do século XX, para servi-lo, para superar o cabotinismo, a primeira coisa a fazer seria trabalhar (com) o ator. Não somente a sua técnica e a sua especialização limitante num ofício que o estiolasse. Ao contrário: num processo de ensino/aprendizagem, seria necessário suscitar no ator “desinteresse”, “paciência”, “método”, “inteligência”, “cultura”, “amor”, interesse por “bem fazer”. Portanto, técnica aliada à ética, empenho por doar-se ao teatro. Respeito ao autor, mas também uso da improvisação. Importância do texto, mas também trabalho com máscaras (como meio, não como fim) e preparação corporal intensa. Intuição, mas também leitura. Ator (atriz) como solista/intérprete numa orquestra harmoniosa.
Copeau pensava o teatro como um palco nu e com “verdadeiros atores”, pois a força do teatro estaria na palavra do poeta e no corpo do ator. Diante de tanta pirotecnia teatral vista nos dias de hoje, como o senhor vê essa questão da busca por um teatro centrado na palavra e no corpo?
Voltamos à questão da formação do ator, à busca do equilíbrio, à necessidade de trabalho corporal-e-vocal, à sensibilidade para o valor sonoro e também para o do sentido: tudo isso trazido por um/num corpo que respira, que pulsa, que repousa. Lembro-me de uma tarde em que, paralelamente ao espetáculo noturno, o Piccolo Teatro apresentou uma sessão na qual um ator se aventurava no difícil e delicado exercício de dizer poemas. Substituiu Giorgio Strehler, que deveria ter vindo dizer trechos da Divina Comédia. Essa também era uma tarefa dos alunos de Copeau: descobrir a importância da Palavra, do Poeta, da Ação-da-Palavra (Marcel Jousse tem um livro que se chama A Antropologia do Gesto e outro que se intitula A Manducação da Palavra). Nos espetáculos de Ariane Mnouchkine e nos de Peter Brook (também nos de Eugenio Barba, apesar da grande ênfase dada aos movimentos e às ações do corpo), encontrei o equilíbrio, a síntese, a dosagem de corpo-voz em sintonia. Abandonar o rebuscamento e, num sentido amplo, “caminhar sobre a cena”. A busca é incessante.
Faz dois meses que seu livro Apelos foi lançado pela editora Perspectiva, uma das mais importantes editoras sobre teatro no Brasil. A que você atribui o silêncio sepulcral em relação à obra, já que Copeau nunca teve uma publicação desta envergadura por aqui?
São cada vez mais raros os espaços nos meios de comunicação para publicar assuntos relacionados ao teatro. Acredito que o livro trará benefícios para os que o lerem. Tenho certeza de que a publicação que a Perspectiva houve por bem realizar com tanto esmero contribuirá para pensar em lançar uma série de autores ainda não traduzidos em português: Decroux, Dullin, Jouvet, Barrault, Baty, Chancerel.
Copeau nutria uma grande ironia em relação aos críticos de sua época. No entanto, em Apelos, percebemos que ele reconhece a necessidade dessa figura que perambula pelo meio teatral. Você não acha que está na hora de vermos o crítico de teatro como um criador e como apenas mais um trabalhador da arte teatral?
Ser/estar crítico (a) teatral é profissão muito difícil; é “trabalho duro e ingrato”, como diz Copeau. E muito necessário. Com rigor, imparcialidade e vontade de servir ao teatro, ele pode auxiliar muito os que exercem o ofício teatral; lançar luz sobre o que é feito; encontrar as palavras para ver o que pode ser melhorado e ter a coragem e a serenidade de dizê-lo àqueles que se afeiçoam ao próprio trabalho como a uma propriedade ou como a um ser amado — dizê-lo (ou escrevê-lo) de tal modo que o “outro lado” possa aceitar a observação, o reparo, a “crítica”. “Ajudar” e “convencer”, e não “ferir” ou “prejudicar”. Sua tarefa pode causar grande benefício para o aprimoramento de um espetáculo, para as perspectivas de um artista ou de todo um grupo de artistas. Para isso, sem dúvida, cabe ao (à) crítico (a) criar, trabalhar, conviver com a cena e com os bastidores. Lembro-me do prazer e do proveito com que lia, jovem estudante, a coluna de Fernando Peixoto e a de Marcelo Renato, e mais tarde, as críticas de Cláudio Heemann e Antônio Hohlfeldt, e as obras de Décio de Almeida Prado, Yan Michalski, Edélcio Mostaço e Sábato Magaldi, muitos deles pessoas com muita familiaridade com a prática da cena teatral.
Qual é o maior ensinamento ou o princípio teatral de Copeau, que você destacaria e aconselharia às novas gerações? 
Amar o teatro. Servir ao teatro. Trabalhar com entusiasmo. “Doar-se”. Para isso, “primeiro possuir-se”.
apelos

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Curso de Interpretação Teatral


Claudia Venturi - atriz, diretora e professora de teatro, formada pela PUC PR, mestre em educação pela UFSC (com período de estudos na Universittà Cattolica del Sacro Cuore di Milano, Itália). Trabalhou como atriz em Curitiba (PR), Milão (Itália) e em Florianópolis (SC), onde continua atuando e desenvolvendo um trabalho voltado para a preparação de atores. (Foto do espetáculo "Aos poucos, ouvidos moucos que virão, falaremos um pouco da nossa escuridão" -  de Jülmar Leardini, Curitiba 1998 - 2001)

Curso direcionado a qualquer pessoa, com ou sem experiência anterior: atores e contadores de histórias que queiram enriquecer o seu trabalho, pessoas que desejem se expressar ou falar em público, para aqueles que queiram trabalhar a timidez, se divertir e fazer novos amigos e para todos os que quiserem se unir a nós com alegria e vontade de participar.

Já estamos recebendo os nomes dos interessados em participar do Curso de Interpretação que será oferecido pelo Círculo Artístico Teodora a partir de Agosto.
Serão três horas por dia, um dia por semana, com início previsto para a quinta-feira, dia primeiro de agosto.

O curso oferecerá aos seus participantes jogos e técnicas que visam trabalhar com as dificuldades e possibilidades que cada pessoa tem para atingir os seus objetivos, sejam eles cênicos ou sociais, como timidez e a necessidade de participar de entrevistas ou apresentações de trabalhos, acadêmicos ou profissionais. Os jogos dramáticos desenvolvem a confiança no grupo e, consequentemente, em si mesmo, desenvolvem a criatividade e a consciência grupal e auxiliam muito em nosso mecanismo de resposta rápida frente a situações difíceis ajudando-nos na solução de problemas. 
Faz parte de nosso conteúdo o trabalho com:
  • presença cênica;
  • consciência corporal;
  • consciência vocal;
  • jogos de improvisação e jogos dramáticos;
  • exercícios de interiorização e de criação;
  • análise do texto;
  • principais técnicas de interpretação.

Quando – Todas as quintas-feiras, de 15 de Agosto à 12 de Dezembro, das 19h30 às 21h30 (36 horas)
Investimento: 480,00 para pagamento à vista, ou em 4 parcelas de 185,00 reais, com desconto de 20% para pagamento efetuado até o dia 15 de cada mês. Desconto adicional de 5% para quem trouxer um amigo que também se inscreva no curso.

Inscrições pelo telefone (48) 9113-1002 ou  pelo e-mail circuloartisticoteodora@hotmail.com

Este curso conta com bolsa de estudos para pessoas da comunidade carente.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Crítica de URANO QUER MUDAR na Revista Osíris



URANO QUER MUDAR

Por Marco Vasques e Rubens da Cunha

A recente montagem de Urano quer mudar, de Rogério Christofoletti, sob a direção de Brígida Miranda e com atuação de Margarida Baird e José Faleiro, causa um estranhamento diante dos elementos que a compõe. O jovem dramaturgo escreve sobre um casal de atores que está de mudança e encontra uma peça que nunca conseguiu montar: temos, então, o velho recurso da peça dentro da peça. Margarida Baird e José Faleiro, casal icônico do teatro catarinense, atuam como personagens e como se também estivessem falando de si. A direção de Brígida Miranda opta pelo intimismo, por uma atuação quase que improvisada dos atores e, como ponto positivo, retira da peça qualquer empostação teatral, ficando no campo da conversa, na qual o público se coloca como ouvinte privilegiado das histórias do casal de atores.
Se há uma coisa sobre a qual não se pode questionar em Urano quer mudar é a coerência de sua proposta. A simplicidade permeia o espetáculo, que na constituição de trama labiríntica formada por três casais (José-Margarida, Urano-Fenícia e José-Cherry) coloca o espectador num entrelugar, numa zona de articulação estranha. Há três níveis de interpretação que constituem as cenas. Os atores passam da leitura dramática ao ato de contar muito intimamente uma história e chegam ao que se costuma chamar de constituição de personagens próprios de uma dita dramaturgia convencional. Todo o espetáculo é urdido numa constante metalinguagem, na qual Faleiro e Baird vão se esgueirando pela narração, pela leitura dramática e pela atuação típica da tradição teatral que confecciona os chamados tipos. A memória é a maior metáfora. Afinal, somos muitos, embora aparentemente; tentamos selar a vida com a tal da identidade una.
            O estranhamento vem justamente da mistura constante entre passado e presente, entre biografia e ficção. Muitas das cenas falam mais diretamente àqueles que estão envolvidos com a produção de teatro. As ironias e as indiretas chegam mais claras aos que conhecem a trajetória dos atores. A força de Urano quer mudar está na simpatia com que os dois atores desempenham seus personagens. O que dá suporte à peça é a questão da memória: a que carregamos dentro, no nosso corpo, ou a que está nas coisas que carregamos conosco, mas que são externas – finitas também, frágeis sobretudo – e que podem ser abandonadas a cada mudança?
Ecléa Bosi, na introdução de seu livro “Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos”, ao falar sobre os depoimentos recolhidos, diz que “[...] se as lembranças às vezes afloram ou emergem, quase sempre são uma tarefa, uma paciente reconstituição. Há no sujeito plena consciência de que está realizando uma tarefa [...]. Esta tarefa é um auto-aperfeiçoamento, uma reconquista”.
            Não podemos deixar de constatar, também, que o caminho percorrido pelo grupo oferece vários perigos. Urano quer mudar é um espetáculo que será melhor fruído pelo espectador habituado ao cenário teatral catarinense e que conheça, ainda que superficialmente, um pouco da trajetória do intelectual e professor Ronaldo Faleiro e da atriz Margarida Baird. Não apenas isso. Até a condição amorosa – Margarida e Faleiro são casados – é ponto importante para que a plateia se relacione com o espetáculo. Esse teatro que podemos posicionar na fronteira do confessional, que já nos rendeu peças brilhantes como “Luis Antonio – Gabriela”, dirigida por Nelson Baskerville, e “Cabaret Stravaganza”, encenada por Rodolfo Garcia Vázquez, tem seus riscos e expõe cruamente a vida dos atores. É preciso conquistar a vivência da memória. Mais do que isso, Urano quer mudar aposta na construção de memórias.
A peça de Christofoletti propõe justamente essa busca, essa tarefa que é executada pelo casal de atores. A memória é uma espécie de resgate, em que o fato realmente acontecido pode retornar travestido de invenção, de esquecimento, de pontos de vista, além de vir sempre como fragmento, pedaço, recorte dúbio. Urano quer mudar transita justamente sobre essa hesitação, esse entremeio, entre o que é real e o que é ficção, entre o que é a memória dos atores e o que é invenção. Talvez seja justamente isso que tenha nos causado tanta estranheza. Ela não nos dá um teatro que estamos acostumados a assistir, nem no sentido da transgressão, da ruptura, da ousadia estética, nem no sentido daquele teatro falho, superficial, torpemente amador a que o público é constantemente submetido.
Com um cenário simples, constituído de livros, algumas fotos, dois baús que vão ganhando significados distintos – pois ora são o depósito da memória, ora se transformam em caixão -, muito papel para embrulhar lembranças e esquecimentos, as cenas vão se imbricando entre ato de vida e ato de morte. Sim. Faz-se necessário dizer que Urano quer mudar trata claramente também do esquecimento, da morte e, claro, das pasteurizações que o teatro e arte vêm sofrendo. As ironias feitas com autores (Stanislavski e Coupeau, por exemplo), com a questão da autoridade, dos modos de representação que os atores experimentam perpassam esse ambiente simples criado pelo grupo.
            Urano quer mudar se coloca em outro lugar, muito por causa dos nomes envolvidos na sua produção, e estabelece com o espectador um pacto difícil, mas bastante instigante: o de que ali, naquela uma hora de encenação, o que vai ser visto são fragmentos de uma história longa, que se deu no teatro, mas não apenas nele, que atravessou e continua atravessando a vida. Somos convidados a escutar, ver, sentir as memórias aflorando. É uma experiência que causa comoção, seja pela identificação com a trajetória dos personagens, seja porque vem imbuída de uma força que desloca o olhar crítico sobre a peça como um objeto de arte.
Como já dissemos, a peça desloca o espectador a um campo outro, o que no nosso caso, causou a estranheza. Estávamos assistindo a uma peça de teatro, percebíamos certas falhas, certas incongruências estruturais, certos pontos que poderiam ser melhor desenvolvidos, mas ao mesmo tempo estávamos enlevados noutro plano, seduzidos pela exposição fictícia, real, inteira, fragmentada da memória de Margarida Baird e José Faleiro.
A professora e estudiosa da memória, Lina Bolzoni, diz que “[...] para que o espetáculo da memória se ponha em marcha e funcione é necessário que o olho da mente recorra às imagens de uma maneira lenta, ordenada e analítica”. Assim, a arte da memória requer uma visualização muito distanciada da nossa, uma visualização capaz de extrair da imagem todas as mensagens com as quais havia sido revestida. Essa peça, com todas as suas qualidades e defeitos, é justamente a memória se colocando em marcha, lentamente, e por requerer uma visualização tão distanciada do que estamos acostumados, causou-nos estranheza, um rescaldo de dúvidas e incertezas sobre o que estávamos vendo, ao mesmo tempo em que ficávamos surpresos por estarmos numa zona de fronteira, naquele espaço misterioso e essencial em que a arte da memória atua.
Estamos diante de uma potência teatral que precisa reordenar as forças e as energias que foram, tão afetivamente, ofertadas ao espectador. É preciso que se redimensione a estética do trabalho para que o espetáculo possa dialogar com qualquer público, para que ele não seja, notadamente, uma conversa íntima e afetiva feita para amigos. Talvez aí esteja o maior desafio de Brígida Miranda: encontrar no todo do espetáculo um ponto de equilíbrio que possa deslocar, também, o espectador alheio ao conjunto de referência que já expusemos.

domingo, 5 de maio de 2013

"URANO QUER MUDAR"

Fotos da apresentação do espetáculo "URANO QUER MUDAR" no Sesc Prainha - Florianópolis no dia 13 de abril de 2013 - Fotos Cristiano Prim.









quarta-feira, 1 de maio de 2013

URANO QUER MUDAR - temporada em maio

Todos os sábados e domingos de maio, às 20h, apresentações de URANO QUER MUDAR, no Círculo Artístico Teodora, Campeche.